Por que está tão difícil contratar no supermercado?

Tem vaga.
Tem anúncio.
Tem entrevista marcada.
Mas não tem candidato.

Essa é a realidade de milhares de supermercados no Brasil hoje.
A crise de mão de obra deixou de ser exceção e virou regra no varejo alimentar.

E não, a resposta não é simples — muito menos rasa.

A rotina que todo gestor conhece

Quem vive o dia a dia do supermercado já passou por isso:

  • Vagas abertas por semanas
  • Entrevistas confirmadas que viram ausência
  • Funcionários que entram e saem rápido
  • Alta rotatividade
  • Equipes sobrecarregadas

A pergunta que fica é direta: o que mudou?

A explicação fácil que não resolve nada

Durante muito tempo, a justificativa mais comum foi:

“As pessoas não querem mais trabalhar.”

Essa frase pode até aliviar a frustração de quem está contratando, mas não resolve o problema — porque ignora o cenário real.

O mercado de trabalho mudou.
O custo de vida mudou.
As expectativas mudaram.

E o modelo de contratação, em muitos casos, não acompanhou.

Salário x custo de vida: a conta não fecha

O primeiro grande fator é econômico.

Nos últimos anos:

  • Aluguel subiu
  • Alimentação subiu
  • Transporte subiu
  • Energia subiu

Mas os salários, principalmente nas funções operacionais, nem sempre acompanharam esse aumento.

Quando o trabalhador faz a conta e percebe que o esforço mensal mal cobre o básico, o emprego deixa de parecer vantajoso.
Não é falta de vontade — é falta de viabilidade.

Carga horária pesada e ritmo intenso

O trabalho em supermercado exige muito:

  • Escalas longas
  • Poucas folgas
  • Ritmo acelerado
  • Trabalho físico e mental constante

Para muitas pessoas, o nível de desgaste não conversa com o retorno financeiro ou com a qualidade de vida oferecida.
E isso pesa na decisão de entrar — ou de permanecer.

Trabalhar quando todo mundo descansa

Outro ponto crítico: os horários.

Enquanto a maioria descansa:

  • finais de semana
  • feriados
  • datas comemorativas

O supermercado está a todo vapor.

Esse fator, isoladamente, já afasta muitos candidatos — especialmente quem busca convivência familiar, descanso social ou mais previsibilidade.

O peso invisível dos impostos e encargos

Aqui existe um problema estrutural sério.

Para que um funcionário receba cerca de R$ 3.000, o custo real para a empresa pode chegar perto de R$ 5.000.

Isso inclui:

  • INSS
  • FGTS
  • Férias
  • 13º salário
  • Encargos trabalhistas indiretos

O resultado é um paradoxo:

  • Para a empresa, o funcionário é caro
  • Para o funcionário, o salário líquido decepciona

O sistema espreme os dois lados.

Então… é preguiça?

Não.
É escolha.

Hoje, muitas pessoas:

  • Preferem trabalhos informais
  • Buscam flexibilidade
  • Evitam rotinas muito rígidas
  • Querem retorno financeiro mais rápido

Não se trata de caráter ou falta de compromisso.
É um choque entre modelo de trabalho tradicional e novas expectativas de vida.

O impacto direto no supermercado

Quando a mão de obra falta, tudo sofre:

  • Funcionários sobrecarregados
  • Atendimento piora
  • Clima interno fica pesado
  • Erros aumentam
  • O cliente sente

Sem pessoas, não existe processo.
E sem processo, não existe crescimento sustentável.

A virada: contratar hoje exige estratégia

Os supermercados que conseguem formar e manter bons times entenderam uma coisa essencial:

não basta contratar, é preciso reter.

Eles investem em:

  • Escalas mais humanas
  • Lideranças mais preparadas
  • Ambiente de trabalho melhor
  • Processos claros
  • Tecnologia para aliviar operação

Isso não é “mimo”.
É gestão moderna.

Conclusão

A crise de mão de obra no supermercado não tem um único culpado.

Ela é resultado de:

  • Um sistema caro
  • Um modelo pesado
  • Uma realidade econômica dura
  • Expectativas que mudaram

Quem continuar explicando tudo com “preguiça” vai seguir reclamando.
Quem entender o cenário vai se adaptar — e sair na frente.

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